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Ping-pong - Sandra Maia
Gente que ama demais


Executiva de marketing, Sandra Maia, 43 anos, não chegou a ser uma Heloísa, de Mulheres Apaixonadas, mas foi uma mulher que amou demais na vida real. Vivia triste. Seu dia só se iluminava quando o outro estava perto. Curada, ela escreveu “Eu Faço Tudo por Você” (Celebris, 128 págs., R$ 27), com histórias de co-dependência afetiva.
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A TRIBUNA - VITÓRIA-ES
Domingo - 19/02/2006 - Cidades 11

A partir do próximo dia 26, A Tribuna vai publicar artigos da escritora e especialista em relacionamentos Sandra Maia.
Consultora do amor, tira dúvidas
SÂNNIE ROCHA Quem nunca sofreu por amor?

A dor da perda, normalmente, está ligada a relações de dependência e, para entender melhor esse assunto, os leitores de A Tribuna contarão com artigos que começam a ser publicados no próximo dia 26, escritos pela especialista em relacionamentos codependentes, Sandra Maia.

Ela pretende colocar o leitor do jornal para repensar questões amorosas, vai dar dicas de como tratar o amor e falará sobre atitudes
que podem acabar com esse sentimento, como o ciúme.

Os artigos são baseados nos livros escritos por Sandra - o terceiro será lançado no segundo semestre -, de acordo com sua própria experiência de vida.

A especialista já foi uma mulher com co-dependência afetiva e admite que chegou a ser obsessiva por amor. Hoje, curada, encontra inspiração para suas obras.

"Penso que não estou sozinha, existem muitas pessoas que estão
passando pelo que já passei.

O assunto é muito complexo e os leitores não vão sair ilesos ao ler os artigos. A coluna vai mexer com muita gente. Posso garantir", afirmou Sandra.

A consultora é paulista e seus dois livros já publicados - "Eu Faço Tudo por Você: Histórias e Relacionamentos Co-Dependentes" e "Você Está Disponível? - Um Caminho para o Amor Pleno" - foram editados pela
Celebris.

A trajetória de Sandra é marcada por especializações, sempre em busca de estudos voltados à compreensão do relacionamento humano.
"Essa minha busca vem das coisas que eu já vivi, de histórias que ouço das minhas amigas e de experiências que já passei nos vários relacionamentos que tive desde os 7 anos. Pois é, fui bastante precoce", contou a especialista.

Sandra tem 45 anos, é formada em Comunicação Social e pós-graduada
em Ioga. Também participou de grupos de estudo para o desenvolvimento pessoal e a aprendizagem compartilhada.

Ao ser questionada sobre como está sua vida amorosa, ela disse: "Por enquanto estou só namorando, porque é mais gostoso".
Sandra Maia: "A coluna vai mexer com muita gente".

A Tribuna - Como você se tornou uma consultora sobre relacionamentos?

Sandra Maia - Eu vivi muitos relacionamentos, e complicados. Durante muitos anos vivi em função do outro. Acabei, inclusive, de escrever um artigo sobre isso para mandar para a coluna.
Na minha vida inteira o importante foi o externo, o que estava por fora, a casca. No final de um relacionamento, acho que em 2000 ou 2001, que foi mais ou menos como os demais, algo muito dolorido para mim, é que decidi mudar.
Comecei a perceber que eu tinha um padrão de dependência que se repetia. Então comecei a me aprofundar nesse tema e a escrever um pouco da minha experiência e do meu caminho para sair desse processo
de co-dependência.


A Tribuna - De que forma você estabelecia essa relação de dependência?


Sandra Maia - Entrava no relacionamento e o outro é que importava.
Passava a viver em função dele. Ou seja, se ele gostasse de futebol, eu
assistia futebol. Se ele gostasse de comida japonesa, eu comia comida japonesa, mesmo que não gostasse de nada disso, aprendia a gostar.
Mas o problema maior não é esse, porque eu acho que é possível incluir coisas na sua vida.
O problema é se anular, perder a identidade e deixar de fazer o que gosta para fazer somente o que o outro faz.


A Tribuna - E esperar que o outro faça o mesmo por você...

Sandra Maia - Esperar não, cobrar. Esse é o problema. Você acredita que como se anulou e abriu mão de tudo pelo outro, que ele pode fazer o mesmo por você.
Então você cobra do outro uma postura que é uma insanidade.
Quando, na verdade, deveria estar mais atento às suas necessidades,
aos seus sonhos e aos seus desejos.


A Tribuna - Como você vai trabalhar o assunto na coluna? Qual será
a sua abordagem?


Sandra Maia - Os meus textos são sempre um convite à auto-reflexão, assim como meus livros - tenho dois publicados e estou preparando
um terceiro para o segundo semestre.
É um convite ao leitor para que ele possa se olhar e até mesmo compreender que tem um comportamento distorcido com relação ao amor e à forma de se relacionar com o outro. Para que ele possa buscar ajuda ou se questionar.


A Tribuna - E isso não serve só para as mulheres, não é?

Sandra Maia - Não. Tenho muitos depoimentos de homens, de adolescentes, de jovens, que entram no meu site ou leram meus livros,
que acompanham os meus artigos.
O problema é universal, não é um problema exclusivamente feminino.


A Tribuna - Tem alguma história que você considera o extremo da obsessão?

Sandra Maia - O extremo da obsessão é você estar caminhando na sua vida, encontrar uma pessoa de repente e passar a viver em função
dela, alterar toda o seu dia-a-dia e colocar todo o seu foco e a sua
energia no relacionamento.
O que acontece? O outro vai embora, desiste, não agüenta tanto
direcionamento para ele.
Sabe aquela coisa exageradamente irreal? Você faz tudo pelo outro, mas vai cobrar. Não é incondicional. É instantâneo.
Você conhece hoje e no outro dia já não vive sem ele.


A Tribuna - E a questão do ciúme? Até que limite o ciúme é bom?


Sandra Maia - Eu acredito que uma pitadinha de ciúme faz bem. É normal, faz parte de qualquer tipo de relação, até mesmo de amizade.
Somos humanos. Agora, o ciúme exagerado é uma relação de posse. Quando vai para esse lado, então começa o problema.

A Tribuna - Quando você começou sua vida amorosa?

Sandra Maia - Eu sempre tive o relacionamento amoroso muito presente na minha vida.
Comecei a me relacionar muito cedo, com 7 anos já tinha namorado.
Fui precoce. Ninguém tinha namoradinho, só eu. (risos)
Eu tive muitos relacionamentos. Nos meus livros conto vários deles.
Todos tinham o mesmo padrão. Como se eu ficasse agindo da mesma forma e esperando que o relacionamento pudesse ser diferente, e isso não acontecia porque eu não mudava de postura.


A Tribuna - Como podemos identificar esse tipo de comportamento antes que ele se torne irreversível?


Sandra Maia - Eu falo nas minhas palestras que devemos prestar muita
atenção em três coisas. A primeira delas é como nos comunicamos.
Será que nossa comunicação está clara, está coerente com aquilo que estamos sentindo



A Tribuna - "Uma pitadinha de ciúme faz bem" ou estamos mascarando o que estamos falando?

Sandra Maia - A segunda coisa é onde colocamos o nosso foco. A energia está comigo, nas coisas que eu preciso, que eu quero, que eu
gosto, ou está no outro?
E, por fim, será que eu realmente me conheço? Se eu não me conheço, como vou entender o outro?


A Tribuna - Isso quer dizer que a pessoa não deve se preocupar com
o outro?


Sandra Maia - É normal querer compartilhar com o outro. Decidir junto
faz parte do relacionamento. O problema é fazer tudo em função
do outro. Eu gosto de morar em casa, e meu companheiro em apartamento, mas porque ele gosta então vamos morar em apartamento. Não negocio, não há troca, não tem comunicação.
Não falo nunca o que eu sinto e imagino que o outro vai atender as minhas expectativas e interpretar o que estou sentindo.
Ou seja, ele tem que adivinhar. Ao mesmo tempo eu não pergunto,
por isso não sei qual é a expectativa dele. Mas vou fazendo, da forma como eu acho que ele vai gostar, até quando der.


A Tribuna - O que está ligado a isso?


Sandra Maia - Baixa auto-estima e crenças infantis, que foram formadas
na infância e ao longo da vida permaneceram. Na verdade, somos adultos que agimos em determinadas situações como crianças, com as mesmas perspectivas.
Por isso que em terapia trabalhamos muito como foram formadas
essas crenças e como podemos mudar isso.
Tem um caso que eu estava lendo no jornal sobre a novela das oito ("Belíssima"), com a Glória Pires. Ela vai entender que decidiu ter essa baixa autoestima porque na infância os pais morreram num acidente aéreo. Se sentia culpada por isso. Então, a partir do momento que ela descobre dentro de si que não é culpada, vai mudar de atitude. Será uma virada. Mas foi preciso um trabalho de autoconhecimento, de busca. Caso contrário, só muda o discurso.


A Tribuna - O que será abordado no primeiro artigo para A Tribuna?


Sandra Maia - Eu fiz três artigos e vou deixar para o editor escolher.
Mas eu escrevi um texto ontem (sexta-feira) à noite que eu gosto
muito, sobre o tema do meu livro três que é 'Eu e o outro'.
No artigo eu explico que durante muito tempo achei que eu e o outro fossemos apenas um.
E hoje eu tenho a convicção de que eu e o outro representamos
dois seres humanos com vontades, desejos e necessidades, que
escolhem estar um com o outro e incluem um na vida do outro.
O assunto é muito complexo, mas as pessoas não vão sair ilesas. Elas vão ler a coluna e alguma coisa dentro vai mexer.
Posso garantir. "O extremo da obsessão é você estar caminhando na sua vida, encontrar uma pessoa de repente e passar a viver em função dela"
.



REVISTA MARIE CLAIRE
EDIÇÃO 176 – novembro de 2005
JORNALISTA: Fanny Zygband

“Me libertei de um amor obsessivo.”

Fazer tudo pelo parceiro, esquecer dos próprios limites e transformar a paixão em obsessão não é nada romântico. Ao contrário, esse tipo de amor rima apenas com dor, destrói a auto-estima e pode gerar uma dependência doentia. A seguir, mulheres que amaram demais contam como se libertaram dessas relações marcadas pela submissão.
Por Fanny Zygband.

Muitas mulheres caem na armadilha de depositar a chave da felicidade nas mãos do parceiro, sem perceber que perderam o próprio eixo.
À primeira vista, elas estão apaixonadas e, na fase inicial, é até natural ficar a mercê do parceiro. Mas, quando a paixão vira vício, o amor sai de cena e dá lugar à co-dependência. “Assim como alguns precisam de álcool para se sentir bem, outros são viciados em pessoas. Pensam 24 horas por dia no parceiro e fazem tudo em função dele. Aí a relação torna-se nociva”, afirma o psicólogo Vicente Galvão Parizi. “Numa relação de co-dependência a carência, a ansiedade e a angústia são intensas e precisam ser totalmente supridas pelo outro. Por medo de perder o ser amado, a pessoa se anula e abre mão de seus desejos”, explica Sandra Maia, autora do livro “Eu faço tudo por você – Histórias e Relacionamentos Co-dependentes” (Editora Celebris). Na raiz do problema está a falta de auto-estima. “A mulher precisa do outro para se sentir amada, bonita, inteligente. Acha que o parceiro é uma dádiva que não pode ser perdida, mesmo quando a relação é insatisfatória, revela Parizi.

Embora intrincado, esse padrão de comportamento pode ser mudado. O primeiro passo é reconhecer que isso não é amor, mas um relacionamento no qual todos perdem, porque não há parceria ou reciprocidade, características de uma relação saudável. O segundo passo é buscar ajuda. Há grupos de apoio e práticas que levam ao autoconhecimento. “Trabalhos corporais ajudam a retomar o próprio eixo emocional e manter os pés no chão”, diz Sandra.
A seguir, três mulheres contam como se enredaram e se libertaram de amores obsessivos.

“Deixei de ter ciúme doentio e de ser submissa” Sofia*, 55 anos, gerente de loja. “Eu tinha 22 anos e me apaixonei à primeira vista por Antônio*”, que era oficial da Marinha. Começamos a namorar e, como viajava muito, ficávamos pouco tempo juntos, mas trocavámos muitas cartas. Dois anos depois, nos casamos e ele foi transferido para Recife. Lá, levávamos a vida que pedia Deus. Meu marido era companheiro, viajávamos e nos divertíamos muito. Depois de 7 anos, tínhamos dois filhos e éramos felizes, mas o centro do meu mundo continuava a ser o meu marido. Tudo que eu fazia era para ele. Me perfumava para ele, vivia comprando lingeries novas e me cuidava a ponto de depilar as pernas todos os dias para que os pêlos não o incomodassem. Pensava 24 horas por dia em diferentes maneiras de surpreendê-lo e agradá-lo.
Tudo corria às mil maravilhas até que Antônio foi transferido para Porto Alegre e nos mudamos de novo. A partir daí, sem razão aparente, ele se transformou. Ficou infeliz, irritado, ríspido. Criticava tudo que eu fazia e não perdia a chance de me depreciar na frente dos outros. Como não queria perdê-lo de jeito nenhum, ouvia tudo calada. Quando engravidei pela terceira vez, as coisas pioraram e ainda tivemos de mudar para o Rio de Janeiro, onde eu não conhecia ninguém. Antônio me deixava sozinha em casa a maior parte do tempo. Um dia, ele disse que ia resolver negócios em São Paulo e saiu de casa com uma mala. Quando chegou o cartão de crédito, vi que Antonio tinha feito despesas no Rio nos dias da tal viagem. Pela primeira vez, percebi que ele podia estar me traindo. Pensei que fosse enlouquecer. Desesperada, comecei a procurar pistas. E não foi difícil achar telefones de outras mulheres. Discutimos, mas não ousei dizer que ele me traía, apenas perguntei. Ele negou e me deixou falando sozinha. Por outro lado, quanto mais provas eu achava, mais tinha medo de perder meu marido. Então parei de confrontá-lo. Claro, fingir teve um preço alto, tive uma doença atrás da outra.
Um dia, estava na cama e sozinha em casa, quando tive um acesso de ciúmes. Rasguei nossas cartas de amor. Colecionava todas como um tesouro: as minhas amarradas com um laço rosa, as dele com um laço azul. Mas, logo em seguida, arrependida, colei os pedacinhos. Não suportava o fim do sonho romântico.
Em 89, nos mudamos para São Paulo. Antônio começou a jogar compulsivamente, e chegava em casa muito nervoso e agressivo. Nessa época,m fui com uma amiga a um grupo de apoio a familiares de alcoólatras. Aquele não era o meu problema, mas fiquei chocada quando me reconheci nas histórias que ouvia ali. Como eu, muitas mulheres se anulavam para evitar o confronto e viviam em função de quem as feria. Pela primeira vez, admiti que meu casamento não ia bem e que não podia mais abrir mão dos meus desejos só para não incomodar meu marido. Senti ao mesmo tempo, o coração partido e um grande alívio porque havia uma saída. Comecei a ver filmes e a ler tudo sobre a compulsão pelo jogo e, principalmente sobre os relacionamentos co-dependentes, como o meu. Concluí que, em vez de reformar meu marido, precisa consertar a mim mesma. Deixei de olhar só para Antônio, fui fazer cursos profissionalizantes e me preparei para deixar o casamento, que já durava quase 30 anos. Passei a enfrentar meu marido e a não aceitar as ausências, as críticas e as traições. Esperava que ele tivesse reações agressivas, mas só me ameaçava: “Se me deixar, não vai levar um tostão. A pressão foi aumentando, tivemos uma briga terrível e saí de casa sem olhar para trás – sem emprego, sem dinheiro, mas com a certeza de que era o que eu precisava para manter minha saúde física e mental.
Como tinha feito aqueles cursos, arrumei um emprego e dei uma virada na minha vida. Hoje, dois anos depois, já superei a dor e as dificuldades financeiras e vivo bem, trabalhando como gerente de uma loja. Tenho um companheiro para ir a festas e compartilhar bons momentos, mas casamento nunca mais. Quero continuar caminhando só com minhas próprias pernas.”

“Achei que dava azar com homens, mas não era só isso”. Ana*, 41 anos, publicitária. “Não tenho sorte com homens. Essa era a minha justificativa quando me envolvia com pessoas complicadas. Até me dar conta de que isso não era obra do acaso, mas um padrão que se repetia na minha vida. Foi assim com o Alex*. Ele era músico, dez anos mais velho do que eu e bebia. Era o segundo homem na minha história com esse perfil – o primeiro foi o pai da minha filha, que tinha cinco anos quando comecei a namorar Alex. Apesar de nossa relação ser instável, com muitas idas e vindas, em 92, engravidei. Alex não se opôs, mas não foi carinhoso. De fato, a gravidez aumentou meu desejo de casar e armei tudo para isso. Aluguei e mobiliei um apartamento....”

Exagerada, jogada a seus pés. Alguns sentimentos e atitudes, quando vêm a tona com freqüência e com muita intensidade, revelam que o amor pode estar se transformando em uma obsessão.
Veja a lista, baseada na orientação do CODA, grupo de Co-Dependentes Anônimos:
• Sentir-se completamente responsável por outra pessoa, pelos seus sentimentos, pensamentos, necessidades, ações, escolhas, vontades, bem-estar e destino.
• Sentir ansiedade, pena e culpa quando as pessoas amadas têm problemas.
• Sempre querer agradar aos outros em vez de agradar a si mesma.
• Buscar desesperadamente amor e aprovação.
• Tolerar abusos e não expressar suas emoções para não perder o amor de outras pessoas.
• Ignorar seus problemas, desejos e necessidades ou fingir que as circunstâncias não são tão ruins.
• Acreditar que alguém não pode viver sem você.
• Tentar controlar eventos, situações e pessoas por meio da culpa, coação, ameaça, manipulação e conselhos assegurando que as coisas aconteçam como você quer.
• Sentir que precisa fazer muitas coisas para ser aceito e amado pelos outros.
• Dizer sim quando quer dizer não.

Caso se identifique com a maioria dos itens, é aconselhável procurar um terapeuta ou um grupo de apoio.

Na hora de procurar ajuda
Freqüentar grupos de apoio, que garantem anonimato e têm atendimento gratuito, é um dos caminhos mais eficazes para quem quer transformar seus padrões de relacionamento. Nesse trabalho as pessoas compartilham suas experiências e apóiam-se mutuamente.
Abaixo, os sites dos principais grupos em todo o Brasil:
Co-dependentes Anônimos CODA – www.codabrasil.org
Mulheres que Amam Demais MADA – www.grupomada.com.br
Emocionais Anônimos – www.ajudaemocional.com.br
Introvertidos Anônimos – www.introvertidosanonimos.org.br

*Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas.


Isto é Gente

10/02/04
JORNALISTA MARINA MONZILLO
Sandra Maia: livro com histórias parecidas com as que ela viveu.

O livro surgiu da sua história pessoal?
Alguns relacionamentos meus tiveram um fim muito parecido com os descritos no livro. Foram muito desgastantes, e eu sempre acabava sozinha. Percebi que o meu padrão de comportamento era dar demais, colocar todo o foco na pessoa. Eu não era importante e só estava bem se ele estava bem.

Isso aconteceu em todos os relacionamentos?
Desde a adolescência. Hoje consigo olhar para trás e ver o fio que liga todos eles. A linha que separa o amar demais para o amar normal é muito tênue.

Como conseguiu perceber e mudar?
No final de 2002, quando acabou uma relação de forma muito dolorida, percebi que estava num círculo vicioso. Quis entender o que estava acontecendo. Desde então, tenho feito muita terapia e lido muito.

Por que colocou tudo num livro?
Serviu para organizar o meu processo de transformação. E também tinha vontade de compartilhar com as pessoas esse tema tão pouco discutido. Acham que amar demais é ser louco, agressivo, matar. Não é. É colocar o foco no outro.

A síndrome é mais comum nas mulheres?
Não. Está ligada a problemas de infância, de auto-estima. Acho que as mulheres só expõem mais.

A Tribuna - Vitória /ES - 30/10/2004 - Pag. 11
Editoria Mulher

Se você é uma daquelas pessoas que ama e acaba encontrando dificuldades em estabelecer uma relação saudável sem abrir mão do amor incondicional, você não está sozinha.

Segundo a escritora Sandra Maia, que acaba de lançar pela editora Rideel "Você está disponível?” - Um caminho para o amor pleno", o fenômeno é mais comum do que se pensa. O livro, de auto-ajuda, apresenta propostas para o equilíbrio emocional através de relatos pessoais de quem encontrou o caminho da auto-estima perdido com relacionamentos co-dependentes, sem buscar vítimas ou culpados, segundo sua autora. Nesse percurso, diz Sandra Maia, é possível iniciar o caminho para deixar de amar demais e depender do ser amado, focando as energias em si próprio.

A autora acredita que é possível "fazer tudo pelo outro" sem se corromper e nem maltratar a si mesmo.
"O problema não é amar demais, mas fazer muito sempre esperando mais em troca", afirma ela. Em seus relacionamentos passados, confessa Sandra, ela costumava "ir para o outro e perder seu próprio endereço".

O livro fala da forma como nos relacionamos conosco, nossas escolhas, crenças e sonhos. Sandra Maia se propõe a abrir para o leitor uma reflexão sobre relacionamentos e responder se estamos ou não disposníveis para uma relação segura, saudável e correta quanto a forma de amar.

O LIBERAL, Belém, PA, 12/12/04
Editoria Mulher, pág. 03

 

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